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Natural elegância

O Hotel Esencia, em Tulum, une a floresta maia e o mar turquesa , design e um serviço excepcional.

por Beta Germano

Ainda bem que o mundo está cheio de lugares paradisíacos. Infelizmente quando o homem os descobre, na maioria das vezes, acaba destruindo-os. Foi mais ou menos o que aconteceu com Tulum. Há cerca de 10 anos a praia no sul do México era um lugar lindíssimo que atraía apaixonados por natureza e yoga. Mas o assunto chegou em ouvidos duvidosos e hoje a pequena cidade à beira mar está tomada por um mix de pouquíssimos hipsters, um número relevante de hippies e muitas figuras responsáveis por "festas estranhas com gente esquisita". 

 

Como a orla é toda tomada por hotéis - cafonas e bacanas, todo mundo junto mas nada misturado -, a escolha da hospedagem pode mudar a sua viagem completamente. Um dos lugares mais incríveis que a gente visitou (para você fazer a reserva já) é o Hotel Esencia, que fica no meio da fascinante selva da Riviera Maya, entre Tulum e Playa del Carmen - outro spot destruído por turistas desconectados e nada descolados! -, na beira de um mar turquesa perfeito para o seu Instagram - sugiro providenciar também fotos analógicas para imprimir e mostrar aos netos!

 

A propriedade que abriga o hotel foi da duquesa inglesa Rosa di Ferrari e sua antiga casa é, hoje, a construção central onde fica a loja, um dos quartos mais disputados e uma das áreas de convivência cheia de livros de arte, arquitetura e design e onde é servido chá todos os dias, pontualmente, às cinco da tarde - uma homenagem ao costume inglês e à di Ferrari. Os livros são da coleção particular de Kevin Wendle, proprietário do hotel. São dele também as peças de design original de nomes como o francês Serge Mouille Pierre e o suiço Jeanneret (ele era primo e colaborador de Le Corbusier e as peças do hotel foram desenhadas em Chandigarh em 1960), que se espalham pelo hotel (inclusive nos quartos!). Destacam-se, ainda,  móveis de jovens designers mexicanos como o Bogus Studio e coleções desenhadas especialmente para o hotel por nomes nacionais de peso - caso dos tapetes criados pela Bi Yuu. Um vaso do Picasso e outras obras de arte dignas de museu se misturam ao artesanato garimpado por todo o país - caso dos belíssimos abacaxis de cerâmica criados por Hilario Alejos Madrigal, em Michoacán ( ficamos tão apaixonados que trouxemos um para casa!). E nessa vibração segue toda a decoração do hotel coordenada por Juan Carlos Gutiérrez - ele formou-se em design de produto na Cidade do México, mas trabalhou por muitos anos em Milão e NY(criando, inclusive, para a Chanel.

 

Os quartos ficam em edificações separadas e `'escondidas" pela mata - não têm número, portanto você precisa achar alguma referência na própria natureza e aprender a se localizar. A ideia é dar total privacidade aos hóspedes fazendo com que eles se sintam em casa. E que casa! As construções têm linhas essenciais e são todas pintadas de branco - o que garante o contraste perfeito com a madeira escura dos móveis e das janelas que emolduram a floresta lá fora. Na suíte master, há uma jacuzzi com vista estonteante da floresta Maia de um lado e o mar do outro.

 

O hotel tem dois restaurantes, um café e um bar na beira da piscina e praia para servir os hóspedes durante o dia e uma steakhouse que abre somente de noite. Cada detalhe da decoração também foi pensada por Gutiérrez: No Mistura, onde você encontrará um menu essencialmente mexicano, vale notar a feliz paleta de cor, as cadeiras desenhada pelo diretor de arte com inspiração no design africano e nos revestimentos personalizados! No beefbar, não deixe de prestar atenção na solução inusitada (e linda!) para as luminárias de teto feitas de cestos e no interessante contraste entre o balcão de azulejo verde e os móveis de vime. 

 

Eu certamente vou repetir isso algumas vezes aqui: estética é o que nos atrai primeiro, mas um bom serviço é o que fideliza. E o do Hotel Esencia é impecável: você se sente especial sem ser incomodado o tempo inteiro. Um serviço eles oferecem e eu amo é o  “pré café da manhã” : se você é dessas que acorda muito cedo e faminta como eu e, quer enrolar um pouco no quarto ( afinal, ele é lindo), é possível escolher um horário para receber café ou chá e alguns pedaços de bolo para matar a fome. Assim você pode descer com mais calma para o restaurante. Já desfrutamos desse tipo de serviço em outros hotéis que adoramos e eu sinceramente acredito que todos os hotéis de luxo deveriam se organizar para garantir esse conforto a mais! Para a gente, são as pequenas delicadezas que fazem a diferença. Outro exemplo? Um dia voltamos ao quarto e havia um lenço para limpar o óculos que o Bruno deixou na cabeceira e, quando fizemos o check out, havia duas garrafas de água com o logo do hotel no nosso carro para garantir a hidratação na viagem de volta ao aeroporto (cerca de 1:30hr). 

 

A área externa é uma mistura de mata nativa e paisagismo cuidado diariamente por oito jardineiros e SPA é um espetáculo à parte! Na entrada, uma limpeza feita com ervas usadas pelos maias. À direita, antes de entrar na construção onde são feitas as massagens e banhos, é possível ver uma horta de respeito que darão origem aos óleos, esfoliantes e ervas dos tratamentos - tudo é plantado aqui e as alquimias são baseadas na sabedoria ancestral dos povos originais da região, seguindo uma tendência mundial do mundo do bem estar. Eu fiz uma massagem tradicional para soltar os músculos e o tratamento à base de café  (bom para celulite!). Foi incrível: a sala na temperatura e com a luz certa, a música no volume mais adequado e a massagista tinha mãos deliciosas. Mas confesso que me arrependi um pouco de não ter feito  o ritual do cacau, tradicional na região! Acho que precisarei voltar.

Fotos

por Bruno Simões